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Status do Desenvolvimento da Palestra:
Em Divulgacao
Título da Palestra
Anime não é Prontuário: Borderline, Vilania e Ética na Formulação Clínica
12 de agosto de 2026
7:00 PM
Apresentação do Evento
Entre crises intensas, relações marcadas por rupturas, impulsividade, abandono e comportamentos que desafiam o manejo clínico, o paciente borderline frequentemente é descrito por aquilo que fez — e não compreendido por aquilo que vive.
Na clínica, palavras como “manipulador”, “difícil”, “instável”, “dramático” ou até “perigoso” podem deixar de ser hipóteses de trabalho e passar a funcionar como sentenças. Quando isso acontece, o prontuário deixa de registrar uma trajetória clínica e começa, silenciosamente, a construir uma narrativa de vilania.
Anime não é Prontuário propõe uma discussão crítica sobre os limites entre comportamento, diagnóstico, personalidade e julgamento moral. Afinal, até que ponto a forma como o profissional interpreta um paciente interfere na formulação clínica, no vínculo terapêutico e nas decisões tomadas sobre aquele sujeito?
A partir de situações clínicas e dilemas éticos, o evento discute como reconhecer padrões sem reduzir pessoas a rótulos; como diferenciar manipulação de estratégias de sobrevivência emocional; como compreender comportamentos difíceis sem romantizá-los; e como construir formulações clínicas tecnicamente rigorosas sem transformar sofrimento em caráter.
Porque uma conduta pode ser inadequada. Um comportamento pode ser destrutivo. Um vínculo pode ser difícil.
Mas nenhum desses elementos, isoladamente, autoriza o profissional a transformar o paciente em vilão.
OBJETIVO
Discutir, de forma crítica e tecnicamente fundamentada, os desafios clínicos e éticos envolvidos na formulação de casos de pacientes com características borderline, analisando como preconceitos, contratransferência, linguagem estigmatizante e julgamentos morais podem interferir na compreensão do caso e na qualidade do cuidado.
O evento busca desenvolver uma leitura clínica capaz de reconhecer comportamentos disfuncionais sem demonizar o sujeito, diferenciando descrição clínica de julgamento moral e diagnóstico de sentença.
Ao final, espera-se que o participante seja capaz de refletir sobre como escreve, interpreta e comunica informações clínicas — compreendendo que o prontuário não deve ser palco para vilanização, mas instrumento técnico de cuidado, acompanhamento e responsabilidade profissional.
TÓPICOS DO EVENTO
1. QUANDO O DIAGNÓSTICO VIRA PERSONAGEM
O que acontece quando o paciente deixa de ser sujeito e passa a ser “o borderline”
Diagnóstico, identidade e estigma
O risco de interpretar toda conduta pela lente do transtorno
Quando a categoria diagnóstica começa a substituir a formulação clínica
2. “MANIPULADOR”: DESCRIÇÃO CLÍNICA OU JULGAMENTO MORAL?
O uso indiscriminado da palavra “manipulação”
Comportamentos de busca de vínculo, validação e regulação emocional
Diferença entre influência interpessoal, estratégia de enfrentamento e manipulação deliberada
Como descrever comportamentos sem transformar descrição em condenação
3. BORDERLINE NÃO É SINÔNIMO DE VILANIA
Impulsividade, instabilidade afetiva e medo de abandono
Relações intensas e padrões de ruptura
Comportamentos autodestrutivos e sofrimento psíquico
Por que compreender não significa justificar
4. O PACIENTE QUE “TESTA” O TERAPEUTA
Limites, rupturas e ameaças de abandono do tratamento
Dependência, autonomia e vínculo terapêutico
Quando o comportamento do paciente mobiliza intensamente o profissional
Manejo clínico sem punição, abandono ou permissividade
Apresentação
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